Um alvo acima da moda.
Friday, September 19th, 2008Foi numa sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007. Minha mãe me buscou no colégio à tarde, porque tinham transferido a prova de sábado praquele horário. Aquilo era particularmente bom, uma vez que eu estava completando 1 ano e 1 mês de namoro e que meu namorado tinha feito 17 anos no dia anterior e a gente ainda nem tinha se falado. (namoro à distância + choque de horários ;~~)
Minha mãe estava bastante feliz. Acho que mais que o habitual. Estranhamente, ela fazia muitos e muitos planos. Não que ela não os fizesse, mas dessa vez não tinha cara de simples sonho. E então eu me lembrei do resultado do exame que ela deveria ter pegado aquele mesmo dia e perguntei qual tinha sido a conclusão. Ela fez um “aah!”, me entregou e continuou dirigindo e falando.
Eu podia pouco entender, mas sempre fui apaixonada pela área de saúde. Acho que foi isso que me impulsionou pro lado Biomedicina da vida no primeiro semestre de 2008. O que eu lia era… Esquisito! Eu não entendia nada, mas eu entendia que não era legal. Eu perguntei quando ela veria a médica e ela reagiu com uma cara de vê-se-não-interrompe-minha-fala-alegre-raquel dizendo que na próxima semana saberia direitinho do que se tratava. Mas eu não tirava o pensamento daquela descrição estranha que eu li no papel. E ao chegar em casa, eu procurei no Google a tradução exata praquilo que eu já imaginava: minha mãe estava com câncer.
Eu não sei se vocês conseguem entender quão ruim foi esse dia. Eu vacilei em várias tentativas de descer a escada e encontrar minha mãe feliz na sala. E eu também não sabia o que dizer… Talvez ‘mãe, liga pra médica pra você saber logo o que é’ ou ‘mãe, será que não tem horário hoje?’. Foi mais seco e covarde que eu esperava. Foi um ‘mãe, é câncer!’. Eu sei que nada se compara à dor que ela sentiu com aquela revelação, mas eu não sei se é possível entender o quanto dói interromper um momento alegre de alguém que você ama muito pra dar uma notícia que vem quase como uma certeza de morte. E eu paro por aqui, porque embora o que venha depois seja comum a qualquer caso, dói muito, mas muito mesmo! Eu lembro de ouvi-la chorar muito (eu já tinha saído correndo, porque eu sou fraca e não consigo presenciar essas coisas) e dizer em desespero pra minha vó que ela ia morrer. Lembro, só que isso veio bem depois, do quanto foi chocante o dia que o cabelo dela caiu mesmo, bastante. E lembro mais ainda o quanto eu acho importante passar isso pra quem eu puder: www.cancerdemama.com.br/campanha
Esse site tem uma meta de 20000 acessos por dia, que raramente é atingida. Segundo o próprio site, “um dos objetivos do Instituto Neo Mama com esta campanha, é conseguir ampliar o número de mamografias que são concedidas, permitindo que mais e mais mulheres tenham acesso à mamografia digital gratuita.”
Eu não sei se, dizendo só o objetivo e pondo o link, vocês entenderiam quão importante isso é. Oito meses depois de acontecer com a minha mãe, meu pai passou pela mesma situação e eu pude ver o quanto qualquer uma dessas campanhas é sensacional. Às vezes é só pelo apoio psicológico, mas, putz, que diferença! Aproveito pra dizer que a campanha do McDonalds é mais que demais! Se não me engano, cercaa de 40% das doações recebidas pelo Hospital do Câncer de Goiânia vem do McDia Feliz. Eles poderiam fazer mais? O Instituto Neo Mama poderia fazer mais? Nós poderíamos fazer mais e em boa parte das vezes não fazemos nada. Então, por favor, quem puder, diariamente, acessar aquele link, já é de grande ajuda! =)
Eu sei que eu não sou nem a primeira nem a última pessoa a ver isso de perto. E sei, de fato sei, que na nossa turma tem mais gente que já passou pelo mesmo. Não sei se o post ficou exageradamente dramático, só que a intenção era mostrar quão importante é ter essa consciência. Se for verdade o que um cientista disse sobre 40% da população ter tido câncer, ter agora ou ter no futuro, o ideal é que a gente comece, desde agora, a criar ou estimular condições melhores de todos termos finais mais felizes…

